Amores fakes – ou quem é quem?

WALCYR CARRASCO - 04/04/2012 13h55 - Atualizado em 04/04/2012 23h54 Época

 

Amores fakes – ou quem é quem?

 

WALCYR CARRASCO 

Walcyr Carrasco (Foto: reprodução)

Há alguns anos minha autoestima andava no dedão do pé. Sofrera uma rejeição terrível. Para compensar, me fartava de chocolates. Tinha dificuldade até de viajar de avião, porque minha barriga batia na poltrona da frente. Quando a gente está mal, inventa bobagem. Era a época de ouro do Orkut. Criei um fake, com um nome charmoso que não revelo nem sob tortura. Pesquisei na internet. Capturei umas fotos lindas de um ator pornô americano. Não usei as explícitas, minha loucura não chegou a tanto. Botei as melhores sem camisa, de sunga, até uma de terno e óculos. Imaginei uma biografia. Meu fake era um jovem estudante de arquitetura que parou o curso por falta de grana. Inscrevi-me nas comunidades em que logicamente ele se abrigaria: de arquitetura, decoração, filmes. E convidei gente para fazer “amizade”. Para minha surpresa, todos topavam sem muitas perguntas. Dali a pouco a página estava cheia, e os amigos atraíram outros contatos. Nas mensagens pessoais, contava minha saga, falava sobre minhas dificuldades financeiras, dizia buscar um grande amor. Em pouco tempo, tinha uma legião de fãs de ambos os sexos. Recebi dicas de empregos. Uma garota me convidou para um fim de semana em Búzios. (Bem, não sei se era uma jovenzinha, também podia estar me enganando.) Um paulista fez confidências sobre sua picante vida amorosa e declarou que eu era seu melhor amigo. Várias pessoas tentaram marcar encontros. Fingia que topava, mas na última hora dava uma desculpa. Por uma questão de princípio, nunca deixei ninguém esperando. Finalmente, um booker de uma agência de modelos me convidou para fotos. Eu me senti realizado. Cheguei a me admirar no espelho, vitorioso:

– Consegui! Consegui! Fui convidado para ser modelo.

Passado o instante de glória suprema, refleti melhor:

– Mas o convite é para o fake. Aquele corpo não é o meu.

Só então percebi o grau de piração em que tinha entrado. Aquele personagem já se tornara parte de mim. Reagia às cantadas, aos elogios, como se fossem dirigidos a mim mesmo. Só que, do outro lado do espelho, havia somente meu velho eu. Para minha própria saúde mental, abandonei o fake.

Um amigo fez pior. Estava em crise no casamento. Entrou em sites de relacionamento com um perfil falso. Feminino. Fazia charme, viveu relacionamentos profundos.

– Cheguei a ter um envolvimento que durou seis meses. O sujeito nunca suspeitou que eu também fosse homem. Já falava em termos uma vida juntos!

É incrível pretender se casar com alguém que só se conhece virtualmente. Mas acontece.

Meu amigo destruiu o perfil e superou a crise matrimonial.

Fiz um perfil falso com fotos de um ator pornô. Tive uma legião de fãs – e fui até convidado para ser modelo 

Alguns atores globais, de nomes não revelados, se deram mal. Um safado criou um fake de uma mulher sensual. Não sei como fez tecnicamente, mas usou filmes pornográficos. Os cativados “conversavam” com a câmera aberta. A mulher interagia com stripteases e ofertas sexuais. O vigarista gravou tudo. Inclusive o “entusiasmo” dos famosos. Mais tarde, eles receberam o recado para depositar R$ 50 mil em determinada conta. Ou os vídeos seriam expostos na internet. Conta-se que muitos pagaram. Outros acabaram na web. Sem nunca contar o que realmente aconteceu, para o mico não ser maior.

No mundo dos adolescentes, os fakes se tornaram um problema. Garotas usam fotos de mulheres adultas, algumas seminuas. Meninos, de rapazes malhados. Estabelecem relacionamentos com pessoas acima de sua idade. Até fingem relações amorosas. Discutem sexo. O encontro ao vivo não acontece. Mesmo assim, são experiências que não estão preparados para viver. Como aconteceu comigo, fantasiam ser outra pessoa. Um educador diz:

– É mais comum do que se pensa. Adolescentes e até crianças se escondem atrás de fakes. Não é saudável. Substituem as experiências dessa fase da vida por uma falsa, virtual.

Redes sociais como o Facebook estipulam uma idade mínima para participar. Com os fakes, a proibição torna-se nula.

Viver um personagem pode ser mais agradável que enfrentar os desafios da realidade. Embora os adolescentes sejam mais frágeis, isso vale para todas as idades. É um risco para o equilíbrio psicológico.

Reconheço que fiquei balançado ao me relacionar por meio de um fake. Desisti. Optei pela vida real. Às vezes, confesso, sinto saudades. Visito a página de meu personagem. Anos depois, ainda há quem envie poesias românticas ilustradas com rosas vermelhas.

Sem dúvida, provoquei algumas paixões.  

quinta 05 abril 2012 07:04 , em Outros


Além da Mascara



Agora que a terra é redonda
E o centro do universo é outro lugar
É hora de rever os planos
O mundo não é plano, não pára de girar

Agora que o tempo é relativo
Não há tempo perdido, não há tempo a perder
Num piscar de olhos tudo se transforma
Tá vendo? Já passou, 

Mas ao mesmo tempo
Fica o sentimento de um mundo sempre igual
Igual ao que já era de onde menos se espera
Dali mesmo é que não vem

Agora que tudo está exposto
A máscara e o rosto trocam de lugar
Tô fora se esse é o caminho
Se a vida é um filme, eu não conheço diretor
Tô fora, sigo o meu caminho
Às vezes tô sozinho, quase sempre tô em paz

Visão de raio-x, o x dessa questão
É ver além da máscara além do que é sabido
Além do que é sentido, ver além da máscara

Pouca Vogal

sábado 31 dezembro 2011 09:53 , em Poemas e Canções...


ME SENTIR AMADO

Em uma de minhas postagens, escrevi sobre minha relação com meu pai, ou sobre algumas coisas sobre ele. Era aniversário de sua morte, etc...


Pois bem... Nem era a minha intenção usar um blog pra escrever sobre essas coisas, sabe. Tipo diário. Mas, resolvi escrever. E pra você que esta lendo, não tenho a intenção de nada. Só resolvi escrever, e como o que estou escrevendo não é especificamente pra ninguém, ou seja, só estou textualizando, (será que existe essa palavra?) meus pensamentos e por isso vou parar de me justificar.


Esse último domingo dos Pais foi um dos mais tristes pra mim, talvez triste seja muito pesado, até porque foi um dia legal, mas foi um dia em que senti muita falta de meu pai. Foi um dia de descobertas.
Embora já o soubesse, ainda não tinha a uma conclusão real do que um filho mais precisa, talvez a única coisa que realmente importe, "SENTIR-SE AMADO POR SEU PAI"


Enquanto refletia sobre o dia e me lembrava de meu pai, me veio uma certeza: Apesar de todos os seus defeitos ele me amava. Lembrei de coisas que o meu pai fez, e essas lembranças fizeram-me, ME SENTIR AMADO.


Já vivi mais que o meu pai, três anos a mais, mas só agora sei do que um filho realmente precisa. "SENTIR-SE AMADO POR SEU PAI".

quinta 18 agosto 2011 16:30 , em Outros


Olhando...

Blog de ziateles :EU ACHO QUE..., Olhando...

 

Hoje olhei pro passado,
Vi você tão linda sorrindo pra mim,
Olhos nos olhos, o sorriso, o beijo o desejo,
Á despedida, você indo embora o fim...

Hoje eu olhei pro passado.
Vi você tão linda!
Olhos distantes, o silêncio, o desejo...

Hoje olhei pro presente
Não vejo você.
Sem olhos nos olhos, sem sorriso,
Sem beijo, só desejo, só lembranças,
Só você indo embora...


Josias T. Rodrigues 21/05/05

 

sábado 13 agosto 2011 16:40 , em Poemas e Canções...


Soneto

Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? Agosto, 

Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março,
Brilhasse o luar que importa? ou fosse o sol já posto,
No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

Que saudades de amor na aurora do teu rosto!
Que horizonte de fé, no olhar tranqüilo e garço!
Nunca mais me lembrei se era no mês de agosto,
Setembro, outubro, abril, maio, janeiro, ou março.

Encontrei-te. Depois... depois tudo se some
Desfaz-se o teu olhar em nuvens de ouro e poeira.
Era o dia... Que importa o dia, um simples nome?

Ou sábado sem luz, domingo sem conforto,
Segunda, terça ou quarta, ou quinta ou sexta-feira,
Brilhasse o sol que importa? ou fosse o luar já morto?

ALPHONSUS DE GUIMARÃES

 

sábado 13 agosto 2011 15:28 , em Poemas e Canções...


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